Em reunião da Academia Brasileira de Educação, o presidente, professor Carlos Alberto Serpa, desafiou os seus pares a apresentar sugestões a serem encaminhadas ao MEC, com o propósito de aperfeiçoar a educação brasileira.
No grupo de trabalho coordenado pela professora Terezinha Saraiva, fizemos uma série de propostas, entre as quais destacamos este decálogo:
- Criar cursos técnicos, de acordo com as necessidades do mercado de trabalho e reservar 800 horas para a sua ministração, na 3ª série, deixando a escolha a cargo dos alunos;
- Preparar professores para os cursos técnicos;
- Elevar para 70% o domínio de Matemática e Leitura, num prazo de 05 anos;
- Ampliar o número de escolas de tempo integral com professores de dedicação exclusiva e salários compatíveis;
- Considerar o potencial da educação à distância. O Brasil tem, hoje, 1,1 milhões de alunos frequentando os vários cursos dessa modalidade;
- Construir bibliotecas e laboratórios, especialmente de informática;
- Criar, dentre os gestores escolares, o cargo de Inspetor de Qualidade de Ensino (IQE), para acompanhar adequadamente o cumprimento pleno do currículo escolar;
- Cuidar efetivamente da assistência aos alunos portadores de necessidades especiais, incluindo-se as altas habilidades (superdotado);
- Oferecer bônus aos professores e especialistas por resultados:
- Corrigir a defasagem idade/série.
Estamos hoje com 8,3 milhões de alunos no ensino médio. Só a metade se forma, o que é uma demonstração inequívoca de desinteresse, a merecer providências radicais do Poder Público. Parece evidente que seja necessário um choque de atratividade nesse nível de ensino.
Como é notória a falta de recursos financeiros, entende-se como ideal a parceria com o Sistema S, a fim de assegurar bons resultados no ensino profissional, que tem um vasto campo para crescer, dentro e fora do Pronatec. Não é lógico que apenas se retire desses bons cursos parte do seu financiamento para suprir carências oficiais.
Por outro lado, é preciso também promover o treinamento intensivo dos professores, para melhorar a sua performance. Eles devem ter mais conhecimento de como lecionar. Não basta só o domínio dos conteúdos. É um problema que nos leva a reinvidicar uma ampla reforma dos cursos de Pedagogia.
Para as mudanças aqui sugeridas é indispensável promover reformulações na LDB (Lei nº 9394/96), trabalho que envolve certamente as responsabilidades do Conselho Nacional de Educação.
Há projetos em curso, no País, que podem colaborar para a correção de rumos, como é o caso da vitoriosa Nuvem de Livros. A educação básica assinala uma brutal carência de bibliotecas e aí pode estar uma ajuda inestimável.